A dependência e seu tratamento

A dependência e seu tratamento

Vemos com frequência, crianças e adolescentes, de maneira precoce, iniciarem o uso de substâncias psicoativas. O desenvolvimento global destes jovens acaba por ser severamente comprometido, mediante a falta de limites, de regras e, também, por danos causados pelas drogas a nível neuronal, uma vez que esta população ainda encontra-se num processo de modelagem cerebral (plasticidade); causando assim danos muitas vezes irreversíveis no aspecto fisiológico;  mas também instalando falhas morais, afetando a formação do caráter destes jovens, tornando mais difícil sua recuperação.

O uso frequente de drogas licitas ou ilícitas é uma situação muito seria que leva ao adoecimento de maneira progressiva, acarretando em perda de controle da própria vida, onde o indivíduo passa a se colocar em situação de risco, envolvendo-se, em algum momento,  com a marginalidade, a prostituição, levando-o a prisão ou a morte precoce.  Para que a dependência não alcance estes níveis de comprometimento à saúde física, mental e social, é  necessário uma intervenção o mais rapidamente possível com um psicologo especializado, que avaliará o caso e indicará os profissionais necessários no processo  de recuperação deste paciente para se evitar uma intervenção mais drástica como a internação, que não é descartada, caso não haja a aderência ao tratamento e o quadro continue a evoluir.

A conscientização da dependência química por parte do paciente, somado a avaliação comportamental do grupo familiar e consequente mudança neste padrão de comportamento de todos os envolvidos, que devem fazer parte do tratamento, darão a possibilidade de recuperação do paciente, que será proporcional à qualidade de vinculação de todos os envolvidos ao programa de tratamento ambulatorial.

Caso a internação seja necessária por se encontrar o paciente em estágio avançado de sua dependência, esta deve ser apenas o ponto de partida rumo à reabilitação plena do mesmo.

A alta clínica significa o retorno do paciente ao convívio social, longe do ambiente protegido de tratamento, que pode levá-lo a reincidência, caso não desenvolva técnicas de enfrentamento adequadas. É preciso dar continuidade ao tratamento através de ambulatório, desenvolvendo um trabalho que inclua a reinserção social, prevenção de recaída, entre outras abordagens; lembrando que a família deve estar envolvida em todas as fases do tratamento do paciente, sendo que este deve ter consciência da sua responsabilidade no processo, para auxiliar na mudança da dinâmica individual e familiar, orientado também por profissionais capacitados para tal compromisso.

Elizabeth Cristina Hiller
Psicóloga – CRP 06/58.203

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