INTERNAÇÃO COMO PARTE DE UM TRATAMENTO

INTERNAÇÃO COMO PARTE DE UM TRATAMENTO

A maioria dos casos de dependência química que chegam ao consultório, são de estágios avançados da doença, quando as perdas (financeiras, profissionais, afetivas…) já fazem parte da história do paciente. Nem todos conseguem manter sua abstinência no ambiente aberto do tratamento ambulatorial, devido ao alto grau de obsessão e compulsão e, também, de resistência às mudanças comportamentais necessárias para a recuperação, sendo indicada a internação para que o paciente possa quebrar este círculo vicioso de comportamentos inadequados e uso de substâncias psicoativas.

O erro está no fato de que após passarem pela internação, a grande maioria acredita que sai “curado” e apto a retomar sua vida, pois “conhece” todos os meios de evitar a consumir drogas novamente (lembrando que álcool é por mim considerada parte integrante das chamadas drogas), não vendo problemas em conversar com colegas de uso, frequentar lugares habituais de uso para fins recreativos e/ou sociais, entre outros.

A internação como disse em outro momento, é um mal necessário por ser, em sua grande maioria, contra a vontade do paciente, mas, não é a solução absoluta. Dentro dos Centros de Recuperação ocorre o tratamento, ou a consciência da existência de uma doença, de como ela se manifesta, e os evites de uma maneira generalizada, mas a recuperação está na retomada da vida em sociedade, onde há a possibilidade de se colocar em prática o que se aprendeu e identificar dificuldades e comportamentos disfuncionais pessoais e até então desconhecidos, que se manifestam apenas diante de determinadas situações que acabam por servir de “gatilhos” para a retomada do padrão de uso anterior.

Este é o momento mais importante para a formação de uma rede de proteção, onde o psicólogo, o psiquiatra (quando há necessidade de acompanhamento medicamentoso), uma crença religiosa, um grupo de apoio, a família, entre outras possibilidades, auxiliarão no desenvolvimento de novas habilidades para enfrentar as dificuldades do dia a dia, estimulando o córtex frontal e possibilitando um quadro de remissão completa da dependência química.

Como digo a meus pacientes, o processo de recuperação não é algo fácil; trata-se de uma arte, a arte de se contrariar, insistir, persistir para então vencer.

Elizabeth Cristina Hiller
Psicóloga – CRP 06/58.203

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