MULHERES EM RECUPERAÇÃO - DIFERENTES, MAS NÃO DESIGUAIS

MULHERES EM RECUPERAÇÃO – DIFERENTES, MAS NÃO DESIGUAIS

É verdade, a recuperação é possível tanto para homens quanto para mulheres. Admiro todos sem distinção, mas vou tentar aqui expor minha visão em relação à elas, pois vejo ser tanto a dependência mais intensa e prejudicial como a recuperação mais difícil.

Em nossa cultura, as mulheres sofreram no passado com o preconceito, com a submissão e a completa anulação quanto ao direito de estudar, de votar, de opinar; sendo cobradas em afazeres domésticos e na criação dos filhos, sofrendo inúmeros abusos e os suportando. Hoje, conseguiram por próprio mérito e com esforço admirável, mostrar a que vieram, sobressaindo em todas as áreas, como esposas, mães, donas de casa e profissionais, dando a elas um poder incrível de superação.

Todo este poder de superação e capacidade de enfrentamento às dificuldades, se tornam inversamente proporcionais, quando se tornam dependentes de alguma substância, seja o álcool ou outras drogas. Tornam-se mais vulneráveis à violência decorrente dos ambientes aos quais se expõem para conseguir atender às necessidades que sua dependência impõe. Não medem esforços e nem consequências para conseguirem a próxima dose para consumo e não sucumbem aos obstáculos que se apresentam, degradando-se rapidamente e com convicção do que querem, passando por diversas humilhações recorrentes dessa doença, abusos emocionais e físicos, além das já conhecidas consequências biopsicossociais.

O uso de drogas é uma escolha no momento da experimentação, porém quando o uso contínuo se instala, não existe mais escolha, essa vai sendo enfraquecida.

O abuso de substâncias psicoativas é uma doença, uma síndrome que tem como característica acima de tudo na perda da liberdade de escolha.

Mulheres em recuperação são diferentes quanto a aceitação na necessidade de tratarem sua compulsão, devido ao uso consciente das drogas, associados a compulsão e obsessão naturais; mas, quando decidem parar, esta dedicação e capacidade de superação ressurgem; o desejo de mudança para a reconstrução de sua auto imagem tão fragmentada traz sofrimento intenso, mas conseguem vencer.

Não posso deixar de expor aqui minha visão sobre a resistência da própria sociedade, que ao invés de acolhê-las e ampará-las, prefere estigmatizá-las e condená-las em alguns casos é claro, ainda trazendo o ranço do passado, com exigências, cobranças e julgamentos preconceituosos.

Essa doença é física, mental e espiritual. Entrar em recuperação é se recriar em pensamentos, atitudes, em caráter, e para um bom reajuste e fortalecimento é preciso tempo, dedicação, apoio e, sobretudo muita boa vontade.

Pessoas em recuperação são diferentes em suas histórias e experiências de vida, mas não desiguais no processo de mudança. A base para a mesma é o primeiro passo rumo à rendição e reconhecimento do problema.

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