SÍNDROME DO PÂNICO

SÍNDROME DO PÂNICO

Maria seguia tranquilamente sua rotina diária. Acordando cedo, preparava o café e seguia em direção ao quarto de seus dois filhos para acordá-los e os preparar para irem à escola. Manhã agitada com a característica preguiça matinal das crianças, pedindo “só mais cinco minutinhos mãe!”. Os ponteiros do relógio correndo e Maria desesperada, já acometida pela ansiedade por ter de deixá-los na escola e correr para seu trabalho, sabendo que o trânsito característico de São Paulo irá deixá-la parada e irritada, temendo mais um dia de atraso e advertência de sua chefe. Seu marido, dando risada e sem se envolver, vendo a angustia de Maria, completa o quadro dizendo: “a culpa é sua por não educar direito estas crianças que fazem o que querem com você”. O que mais para dar errado? Claro, o pagamento do aluguel! Esqueceu sobre a mesa de casa durante a correria para não se atrasar. Vence hoje e precisa voltar para buscar sob as reclamações dos filhos que irão perder a primeira aula e do marido que insiste em chamá-la de desorganizada e irresponsável. De repente, em meio a discussão, passa a sentir seu coração disparar, um suor intenso, um mal estar, uma sensação de que sua vida está prestes a se esvair, um pânico se instala, a respiração se torna difícil e então, após alguns minutos, o mau estar se foi, mas também ocasionou a perda do horário no trabalho e uma discussão com o marido.

Passou a apresentar crises de pânico recorrentes, o que a levou a buscar por ajuda médica, realizando uma série de exames, mas todos perfeitos, sem nenhuma alteração. Descrente, procurou novos profissionais para ouvir uma segunda opinião e, novamente, nenhum problema detectado. E agora? As crises de pânico continuam acontecendo sem motivo aparente, as dores no peito, o mal estar é real, e o medo de realizar suas atividades sozinha e ter nova crise a impedem de levar uma vida normal e criando a necessidade de estar sempre acompanhada, prejudicando seu trabalho, seu relacionamento com o marido e com as crianças… o que está acontecendo?

Se você se identificou de alguma maneira com a breve estória acima relatada, pode estar sofrendo da conhecida Síndrome do Pânico, um transtorno de ansiedade caracterizado pelo início súbito de intensa apreensão, temor ou terror, frequentemente associados com sentimentos de catástrofe iminente, estando presentes durante estes ataques sintomas como falta de ar, palpitações, dor ou desconforto torácico, sensação de sufocamento e medo de “ficar louco” ou perder o controle.

O tratamento mais efetivo se dá através da associação do acompanhamento psicológico e psiquiátrico, com sessões de psicoterapia, através de uma combinação de estratégias comportamentais, incluindo o relaxamento, o retreinamento da respiração, a exposição interoceptiva e a reestruturação cognitiva e intervenção medicamentosa.

Elizabeth Cristina Hiller
Psicóloga – CRP 06/58.203

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