RISCOS DA UTILIZAÇÃO DE SOLVENTES (INALANTES)

RISCOS DA UTILIZAÇÃO DE SOLVENTES (INALANTES)

Estamos vendo na mídia, ultimamente, muitos casos de morte de jovens por uso de inalantes. Ano passado um adolescente após consumo de lança-perfume, passou a apresentar dores intensas, problemas neurológicos severos, com dificuldades respiratórias, atrofia da musculatura esquelética e consequente óbito após meses de internação. O caso mais recente é o da estudante universitária de 18 anos, falecida após inalar gás de buzina em uma festa em sua residência.

Os solvestes, também conhecidos como inalantes ou substâncias voláteis, representam um grupo de substância psicoativa bastante diversificada e com grande variedade de produtos, como a gasolina, cola, removedores, aerossóis, benzina, esmaltes, cheirinho da loló, lança perfume etc., podendo ser inalados involuntariamente por trabalhadores da indústria ou voluntariamente como droga de abuso, possuindo baixo custo e encontrando-se disponível para comercialização.

Os solventes são rapidamente absorvidos pela corrente sanguínea, sendo os efeitos sentidos rapidamente e durando cerca de 5 a 15 minutos, sendo o cérebro e o fígado os primeiros a serem submetidos à substancia devido ao tecido altamente vascularizado. Os solventes são lipossolúveis, sendo rapidamente armazenados em depósitos de gordura, que incluem o sistema nervoso central e periférico, o fígado e os rins.

A intoxicação por solventes é semelhante a causada pelo álcool, com euforia inicial, seguida por depressão; e quando inalado em certa concentração, produz alterações comportamentais e psicológicas agudas em seu usuário, que devido ao curto tempo de duração do efeito sobre o organismo, tende a consumir inúmeras vezes para obter um efeito mais prolongado.

Os efeitos são divididos em quatro fases: 1ª.) euforia, excitação, exaltação e alterações auditivas e visuais, podendo ocorrer vertigens, tonturas, náuseas, fotofobia, rubor facial, tosse, espirros, vômitos e salivação. 2ª.) Depressão inicial do Sistema Nervoso Central (SNC), apresentando o usuário confusão, desorientação, obnubilação (estado de apatia, de torpor com obscurecimento e lentidão do pensamento), diplopia (perturbação da visão caracterizada pela percepção de duas imagens de um só objeto; é o principal sintoma inicial da paralisia dos nervos oculomotores), turvação da visão, cólicas abdominais perda do auto controle e podendo ocorrer cefaleia e palidez. 3ª.) depressão média do SNC, com redução significativa do estado de alerta, dificuldade na coordenação ocular e motora, ataxia (má coordenação dos movimentos), fala pastosa, reflexos diminuídos e nistagmo (sucessão de movimentos rítmicos, involuntários e conjugados, dos globos oculares, constituída pela alternância de oscilações lentas e oscilações rápidas). 4ª.) Depressão profunda ou tardia do SNC podendo ocorrer inconsciência, convulsões, paranoia e comportamentos bizarros, podendo ocorrer o óbito, inclusive por asfixia mecânica, quando a substância é inalada em sacos plásticos.

Os solventes são têm alto potencial de morbidade e mortalidade, sendo potencialmente danosos ao cérebro e a outros órgãos, mais que as demais drogas conhecidas, como a cocaína, a maconha etc., e seu uso está associado a síndrome da morte-súbita, ocasionada por falha cardíaca, podendo também levar a risco de prejuízos crônicos ao coração, pulmões, rins, fígado e nervos periféricos. A nível psicológico e psiquiátrico podem ocorrer a longo prazo fadiga, esquecimento, dificuldade de pensar clara ou logicamente, irritabilidade, alterações da personalidade, redução da motivação, vigilância e iniciativa, depressão, psicose esquizofrênica, disforia (estado de mal estar e agitação ansiosa), distúrbio de conduta e paranoia. Sua utilização por mulheres em período de gestação,  aumentam o risco de aborto espontâneo e má formações fetais.

Fica a pergunta! Vale a pena?

Elizabeth Cristina Hiller
Psicóloga – CRP 06/58.203